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Apêndice Online A: outros mapas da felicidade

9 de set.
23 min de leitura

PERMA, SPIRE, bem-estar psicológico e diferentes maneiras de compreender uma vida boa



Por que este conteúdo está fora do livro?


Há uma razão simples para este texto estar aqui, e não ocupar mais algumas dezenas de páginas do livro. Uma explicação minimamente honesta sobre os principais modelos de bem-estar exigiria milhares de palavras. Colocar tudo no livro interromperia a caminhada da maioria dos leitores para atender a uma curiosidade de aprofundamento que nem todos terão.


Em vez de fingir que essas outras propostas não existem, preferi deixar o caminho principal mais fluido e abrir esta trilha para quem quiser percorrê-la. O objetivo não é oferecer um catálogo completo de teorias da felicidade. É mostrar que a ciência pode observar uma vida boa por ângulos diferentes e que cada escolha torna algumas coisas mais visíveis enquanto deixa outras na sombra.


Este apêndice também cumpre uma função de transparência. Felicidade para Inconformados adota uma definição operacional de felicidade, mas não pretende apresentá-la como a única definição cientificamente possível. Explicitar as alternativas é uma forma de mostrar ao leitor onde o livro se posiciona, o que incorpora e o que decidiu não colocar no centro.


Nenhum mapa é o território


Imagine que cinco pessoas observem a mesma cidade. Uma usa um mapa de ruas. Outra consulta as linhas de ônibus. Uma terceira procura o relevo. A quarta deseja saber onde estão os hospitais. A quinta quer encontrar lugares para caminhar. Os mapas podem se sobrepor, mas não precisam ser idênticos, porque foram construídos para responder a perguntas diferentes.


Com a felicidade acontece algo semelhante. Quando dois pesquisadores usam palavras distintas, nem sempre estão discordando sobre a vida boa. Talvez estejam perguntando coisas diferentes:


1.       Como a pessoa tem se sentido?

2.       Como ela avalia a própria vida?

3.       Está conseguindo funcionar bem?

4.       Quais necessidades psicológicas estão sendo atendidas?

5.       Que condições favorecem ou dificultam seu bem-estar?

6.       A vida contém prazer, propósito, novidade ou crescimento?


Antes de apresentar os modelos, vale separar quatro ideias que costumam ser misturadas.


Definição indica o que chamaremos de felicidade ou bem-estar. Modelo organiza esse fenômeno em componentes. Teoria tenta explicar processos, condições ou mecanismos. Instrumento transforma parte desse fenômeno em perguntas, escalas ou indicadores que possam ser medidos.


Essas categorias não são equivalentes. O PERMA, por exemplo, é apresentado como uma estrutura de elementos do bem-estar e possui instrumentos construídos para medir esses elementos. A Teoria da Autodeterminação é uma teoria ampla sobre motivação, desenvolvimento e bem-estar. O SPIRE é uma síntese integradora. A Escala de Satisfação com a Vida é um instrumento, não uma teoria da felicidade. Misturar tudo sob o rótulo de “teorias da felicidade” produz uma aparência de simplicidade que não corresponde ao debate científico.


A melhor pergunta, portanto, não é “qual modelo venceu?”. A pergunta mais útil é “qual aspecto da vida este modelo me ajuda a enxergar, e o que continua invisível depois que eu o utilizo?”.


O mapa escolhido neste livro


Em Felicidade para Inconformados, felicidade foi compreendida principalmente como a interação entre duas dimensões de bem-estar:


1.       bem-estar afetivo: a presença de experiências emocionais agradáveis e desagradáveis ao longo da vida;


2.       bem-estar avaliativo: a maneira como a pessoa julga a própria vida, incluindo sua satisfação com ela.


Essas duas dimensões não existem isoladas. Elas são continuamente influenciadas por fatores individuais e ambientais. A pessoa participa da experiência com seu corpo, sua história, suas habilidades, sua atenção, suas escolhas e sua maneira de interpretar o que vive. Ao mesmo tempo, encontra oportunidades, limites, relações, recursos, riscos, condições materiais e estruturas que não foram produzidos apenas por ela.


A tradição do bem-estar subjetivo consolidou a distinção entre componentes afetivos e cognitivos ou avaliativos. A literatura também mostra que medidas globais de avaliação da vida e medidas da experiência cotidiana não são intercambiáveis. No estudo de Dolan, Kudrna e Stone com diários de uso do tempo de mais de vinte mil residentes dos Estados Unidos, avaliações da vida e experiências diárias produziram retratos diferentes de grupos como desempregados, faixas etárias e homens e mulheres.1,2


A escolha do livro não pretende reduzir a felicidade a “sentir-se bem”. Também não considera suficiente formular uma avaliação positiva da vida enquanto o cotidiano é dominado por sofrimento, exaustão ou falta de possibilidade de ação. A combinação entre experiência e avaliação foi escolhida porque ajuda a manter as duas perguntas abertas: “Como minha vida tem sido sentida?” e “Quando olho para ela, como a considero?”. A inclusão dos fatores individuais e ambientais impede que a resposta seja tratada como produto exclusivo da mente.


Duas tradições que atravessam os modelos


Boa parte da literatura distingue duas grandes maneiras de pensar o bem-estar. A perspectiva hedônica enfatiza prazer, afetos agradáveis, redução do sofrimento e satisfação. A perspectiva eudaimônica dirige a atenção para funcionamento, desenvolvimento, virtude, autenticidade, propósito e realização de potenciais.3


Essa divisão é útil, mas não deve ser transformada em duas caixas fechadas. Ryff enfatiza funcionamento psicológico, mas inclui relações positivas. O PERMA reúne emoção positiva, engajamento, relações, significado e realização. Dolan coloca prazer e propósito dentro da experiência cotidiana. A Teoria da Autodeterminação relaciona necessidades psicológicas tanto à motivação quanto ao bem-estar.


A oposição rígida entre prazer e propósito também pode produzir um erro moral. Prazer não é necessariamente superficial. Propósito não é automaticamente saudável. Alguém pode sentir propósito numa causa destrutiva, e uma conversa leve com um amigo pode ser uma parte valiosa da vida. O importante é compreender o que cada dimensão descreve, sem transformar uma delas em virtude e a outra em culpa.


Sete mapas para observar uma vida boa


1. Bem-estar subjetivo: como me sinto e como avalio minha vida?


O trabalho de Ed Diener ajudou a consolidar o bem-estar subjetivo como um campo de investigação. Em sua formulação mais conhecida, ele inclui satisfação com a vida, afetos positivos e afetos negativos. A satisfação envolve uma avaliação cognitiva: a pessoa compara sua vida com critérios que considera relevantes. Os afetos descrevem a qualidade emocional da experiência.1,4


Considere alguém que atravessou uma semana cansativa, sentiu irritação e preocupação, mas ainda assim considera sua vida boa. Outra pessoa pode ter vivido dias agradáveis e, ao olhar para o conjunto da vida, sentir que algo importante está faltando. O modelo não exige que sentimento e avaliação sejam idênticos.


Afetos positivos e negativos não são simplesmente as extremidades de uma única régua. Uma vida pode conter quantidades relevantes de ambos. Da mesma maneira, estar satisfeito não significa experimentar apenas emoções agradáveis. O bem-estar subjetivo permite observar essas dimensões relacionadas, mas distintas.1,4


Principal contribuição. O modelo oferece uma resposta relativamente clara para uma pergunta difícil: como a própria pessoa sente e avalia a qualidade da vida que vive? Essa é a base científica mais direta da definição adotada no livro.


Ponto cego. O modelo descreve o resultado subjetivo e não diretamente os processos que o produziram. Duas pessoas podem apresentar níveis semelhantes de satisfação por razões muito diferentes. Além disso, uma avaliação favorável não informa, por si só, se a pessoa possui autonomia, segurança, relações justas ou oportunidades reais.

A conexão com o livro aparece justamente aqui: afetos e satisfação importam, mas precisam ser colocados em relação com o ambiente. Perguntar apenas “quanto você está satisfeito?” pode revelar uma parte da experiência. Não revela automaticamente o preço pago para sustentar aquela resposta.


Pergunta para reflexão: Tenho observado separadamente o modo como me sinto e o modo como avalio minha vida, ou transformo um dia ruim numa vida ruim e uma conquista numa prova de que tudo está bem?


2. Prazer e propósito: como a experiência se apresenta enquanto acontece?

Paul Dolan propõe compreender a felicidade a partir das experiências de prazer e propósito. Nesse uso, propósito não precisa significar uma grande missão de vida. Trata-se da sensação de que aquilo que está sendo feito vale a pena naquele momento. A proposta inclui também seus opostos: dor e falta de sentido ou inutilidade percebida.2,5

Ajudar um amigo a carregar móveis talvez ofereça pouco prazer físico, mas bastante propósito. Assistir a vídeos curtos pode ser prazeroso e, ao final, parecer pouco valioso. Escrever um livro pode combinar esforço, frustração, prazer e propósito dentro da mesma tarde.


Propósito

Despropósito (pouco propósito)

Prazer

Experiência agradável e percebida como valiosa

Prazer que pode parecer vazio ou pouco importante

Sofrimento

Esforço, cuidado ou sacrifício percebido como valioso

Experiência desagradável e sem sentido percebido

 

Observação: a matriz é um recurso didático. Não é um instrumento diagnóstico nem estabelece que todas as experiências devam combinar prazer e propósito em níveis elevados.


Dolan reafirmou explicitamente o princípio prazer-propósito em 2024, dez anos depois de Happiness by Design. Sua proposta distingue propósito experimentado no cotidiano de avaliações globais como “minha vida tem sentido”. Estudos com diários de uso do tempo também indicam que prazer, sofrimento, sentido experimentado e avaliação global não geram necessariamente as mesmas conclusões.2,5


Principal contribuição. O modelo chama atenção para a vida enquanto está sendo vivida, não apenas para a narrativa construída depois. Ele pergunta o que ocupa nosso tempo e como isso é experimentado.


Ponto cego. A estrutura prazer-propósito é econômica e didática, mas pode simplificar experiências complexas. Novidade, justiça, saúde, relações de poder e riqueza psicológica não se deixam reduzir facilmente a dois eixos. Também existe o risco de transformar a gestão da atenção numa responsabilidade exclusivamente individual, mesmo quando o contexto limita escolhas.


A proposta conversa diretamente com os capítulos do livro sobre atenção e antecipação. Ainda assim, ela precisa da pergunta ambiental: quem dispõe de liberdade real para reorganizar o próprio tempo e quem vive sob demandas que não escolheu?


Pergunta para reflexão: O que ocupa minhas horas tem oferecido prazer, propósito, ambos ou nenhum, e quanto dessa distribuição está realmente sob minha possibilidade de escolha?


3. Bem-estar psicológico: estou conseguindo funcionar bem?


Carol Ryff partiu de uma crítica importante: definir bem-estar apenas como satisfação ou presença de afetos agradáveis deixaria de fora tradições que tratam de desenvolvimento, maturidade e funcionamento humano. Seu modelo de bem-estar psicológico organiza seis dimensões:6,7


1.       autoaceitação: reconhecer a si mesmo, incluindo qualidades e limitações;

2.       relações positivas: construir vínculos calorosos, confiáveis e recíprocos;

3.       autonomia: agir com autodeterminação e avaliar-se por critérios que não sejam mera pressão social;

4.       domínio do ambiente: manejar as exigências da vida e criar ou escolher contextos compatíveis com necessidades e valores;

5.       propósito de vida: perceber direção, objetivos e coerência;

6.       crescimento pessoal: manter abertura ao desenvolvimento e a novas possibilidades.


Uma pessoa pode declarar satisfação com a vida e, ainda assim, perceber pouca autonomia ou pouca capacidade de influenciar o ambiente. Outra pode atravessar uma fase exigente, com menos prazer, mas reconhecer crescimento, direção e relações profundas.


O modelo de Ryff possui escalas próprias e uma longa história de uso em pesquisa. Estudos posteriores reexaminaram sua estrutura e ofereceram apoio à distinção entre componentes do funcionamento positivo.6,7


Principal contribuição. Ryff amplia a pergunta de “estou feliz?” para “estou conseguindo viver, desenvolver-me, relacionar-me e agir sobre o mundo de uma forma psicologicamente saudável?”.


Ponto cego. Alguns componentes podem ser lidos como atributos pessoais, mesmo quando dependem fortemente de condições sociais. “Dominar o ambiente” não significa que todos receberam os mesmos recursos ou liberdade para fazê-lo. Uma pessoa pode possuir habilidade e esforço, mas enfrentar precariedade, discriminação ou relações de poder que restringem sua ação.


O modelo ajuda o livro a lembrar que satisfação não basta. A correção necessária é não converter funcionamento em desempenho moral. Quando alguém não consegue agir sobre o ambiente, é preciso investigar tanto suas capacidades quanto a estrutura que a cerca.


Pergunta para reflexão: Minha vida apenas parece satisfatória ou também oferece relações, direção, desenvolvimento e possibilidade real de agir sobre o ambiente?


4. O continuum da saúde mental: não estar doente significa estar bem?


Corey Keyes propôs que saúde mental positiva não deve ser confundida com a simples ausência de transtornos. Seu modelo combina bem-estar emocional, psicológico e social. Em outro eixo, considera a presença ou ausência de sofrimento ou transtornos mentais. Isso permite compreender que bem-estar e psicopatologia são relacionados, mas não extremos perfeitos da mesma linha.8,9


Uma pessoa pode não preencher critérios para um transtorno e, mesmo assim, experimentar vazio, isolamento e baixo funcionamento positivo. Outra pode conviver com um transtorno diagnosticado e preservar relações, propósito e áreas relevantes de bem-estar, especialmente quando recebe cuidado adequado e encontra ambientes de apoio.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 reuniu 85 estudos sobre modelos de dois fatores e encontrou sustentação psicométrica para tratar bem-estar e psicopatologia como dimensões distintas, embora relacionadas. A literatura utiliza diferentes nomes e critérios para classificar perfis, o que recomenda cautela na comparação direta entre estudos.9


No modelo de Keyes, aparecem os termos languishing e flourishing. O primeiro descreve níveis baixos de saúde mental positiva; o segundo, níveis elevados de bem-estar emocional, psicológico e social. Esses termos pertencem à arquitetura do modelo. Não são diagnósticos clínicos nem rótulos definitivos sobre uma pessoa.


Principal contribuição. O continuum corrige um erro frequente em organizações e políticas de saúde: reduzir sintomas e prevenir adoecimento é indispensável, mas isso não equivale automaticamente a construir bem-estar.


Ponto cego. Classificações podem produzir a falsa impressão de estados fixos. Pessoas variam ao longo do tempo e entre domínios. O modelo também não substitui avaliação clínica e não autoriza leigos a diagnosticar transtornos a partir de indicadores de bem-estar.

Esta lente se conecta diretamente à distinção feita no livro entre não adoecer e alcançar bem-estar elevado. Tratar os pulmões é necessário. Cuidar do ar também. Mas melhorar o ar não elimina a necessidade de tratamento para quem adoeceu.


Pergunta para reflexão: Tenho tratado ausência de crise como prova de saúde, tanto na minha vida quanto nos ambientes pelos quais sou responsável?


5. Teoria da Autodeterminação: quais condições alimentam uma motivação de qualidade?


A Teoria da Autodeterminação, desenvolvida por Edward Deci, Richard Ryan e colaboradores, não é uma lista de componentes da felicidade. É uma teoria ampla sobre motivação, desenvolvimento e funcionamento. Uma de suas proposições centrais é que a satisfação de três necessidades psicológicas básicas favorece motivação de melhor qualidade e bem-estar:10,11


1.       autonomia: sentir que as próprias ações possuem autoria e concordância interna. Autonomia não é o mesmo que fazer tudo sozinho;

2.       competência: sentir-se capaz de aprender, enfrentar desafios e produzir efeitos;

3.       vínculo: sentir cuidado, pertencimento e conexão significativa com outras pessoas.


A teoria distingue satisfação e frustração dessas necessidades. Não ter autonomia suficiente não é exatamente o mesmo que sentir-se controlado e coagido. Não receber proximidade não equivale totalmente a ser rejeitado. A frustração ativa pode estar especialmente associada a sofrimento e funcionamento defensivo.11


Décadas de pesquisa relacionam satisfação das necessidades a indicadores de motivação e bem-estar em diferentes contextos. Uma revisão de 2020 sintetizou avanços e questões críticas dessa literatura. A teoria atribui papel central aos contextos sociais: ambientes podem apoiar ou frustrar autonomia, competência e vínculo.10,11


Principal contribuição. A Autodeterminação oferece uma ponte clara entre pessoa e ambiente. Ela não pergunta apenas “você tem autonomia?”, mas também “as relações, regras e práticas ao seu redor apoiam ou bloqueiam sua experiência de autoria?”.


Ponto cego. As três necessidades não esgotam todas as condições de uma vida boa. Segurança econômica, saúde física, justiça, moradia e proteção contra violência não se tornam dispensáveis por não integrarem a tríade. Além disso, autonomia, competência e vínculo podem assumir expressões diferentes entre culturas e situações.


Esta é uma das teorias que melhor dialogam com a proposta do livro. Ela ajuda a escapar de duas simplificações: imaginar que o bem-estar depende apenas da vontade individual ou supor que a pessoa seja inteiramente passiva diante do contexto.


Pergunta para reflexão: Em quais ambientes sinto autoria, capacidade e pertencimento, e em quais deles essas necessidades são sistematicamente frustradas?


6. PERMA e PERMA+4: quais elementos ajudam a decompor o bem-estar?


Martin Seligman organizou o PERMA em cinco elementos:


1.       P, emoções positivas: experiências como alegria, gratidão, interesse e esperança;

2.       E, engajamento: envolvimento profundo e absorção em atividades;

3.       R, relacionamentos: vínculos positivos e apoio mútuo;

4.       M, significado: conexão com algo considerado maior que o próprio eu;

5.       A, realização: progresso, domínio e alcance de objetivos.


O valor didático do acrônimo é evidente. Em vez de perguntar apenas “como está meu bem-estar?”, alguém pode investigar se o problema está nas relações, na ausência de significado, na falta de experiências positivas, no baixo engajamento ou na sensação de não avançar.


O PERMA-Profiler foi desenvolvido como uma medida multidimensional breve e passou por estudos de validação.12 Entretanto, Goodman e colaboradores compararam PERMA e bem-estar subjetivo em 517 adultos e encontraram correlação latente de 0,98 entre os fatores gerais. Isso sugere sobreposição muito elevada naquele estudo. Os autores concluíram que os indicadores convergiam para um fator comum de bem-estar.13


Esse resultado precisa de duas cautelas. Primeiro, uma correlação elevada em um estudo não prova que todos os componentes sejam inúteis ou idênticos em qualquer contexto. Segundo, Seligman respondeu que o PERMA não pretendia criar um “novo tipo” de bem-estar, mas organizar possíveis elementos ou caminhos que contribuem para ele. Nessa leitura, a sobreposição com bem-estar subjetivo não elimina a utilidade prática de decompor o resultado geral, embora mantenha aberta a discussão sobre independência e exaustividade dos cinco elementos.14


Principal contribuição. O PERMA oferece vocabulário simples para observar diferentes áreas e planejar intervenções mais específicas.


Ponto cego. O modelo original dá pouca visibilidade direta a saúde física, recursos materiais, segurança e condições ambientais. Também existe o risco de usar cinco componentes correlacionados como se fossem departamentos totalmente independentes da vida.


Quando o PERMA entrou no trabalho


O PERMA+4 foi proposto para o contexto de trabalho. Aos cinco elementos originais, acrescenta:


1.       saúde física;

2.       mentalidade positiva, incluindo orientação para crescimento e futuro;

3.       ambiente físico de trabalho;

4.       segurança econômica.


O modelo possui a escala Positive Functioning at Work, com estudos iniciais de validade. Seus próprios autores afirmam que a investigação do PERMA+4 ainda está em fase inicial e que mais pesquisas são necessárias para definir antecedentes, resultados e formas de intervenção.15


A extensão corrige parte do individualismo do PERMA original, sobretudo ao incluir renda, reservas financeiras e ambiente físico. Isso conversa diretamente com os capítulos sobre felicidade no trabalho. Ao mesmo tempo, surge uma tensão: quanto mais elementos um modelo incorpora, mais realista pode parecer, mas também maior é o risco de chamar de “bem-estar” quase tudo o que o influencia. Saúde, renda e ambiente podem ser dimensões da vida boa, condições que a sustentam ou ambas, dependendo da definição utilizada.


Pergunta para reflexão: Estou usando o PERMA para enxergar áreas específicas ou tratando o acrônimo como uma fórmula completa que dispensa olhar para o contexto?


7. SPIRE: o que aparece quando observamos a pessoa inteira?


Tal Ben-Shahar propõe o SPIRE como uma estrutura integradora de cinco dimensões:


1.       S, bem-estar espiritual: sentido, propósito e conexão com algo considerado significativo;

2.       P, bem-estar físico: corpo, saúde, atividade, descanso e vitalidade;

3.       I, bem-estar intelectual: curiosidade, aprendizagem, reflexão e abertura a ideias;

4.       R, bem-estar relacional: qualidade das conexões e dos vínculos;

5.       E, bem-estar emocional: capacidade de reconhecer emoções e experimentar estados agradáveis e desagradáveis de forma saudável.


O SPIRE chama atenção para dimensões que modelos estritamente psicológicos podem deixar em segundo plano. Uma pessoa pode ter boas avaliações cognitivas da vida e, ainda assim, estar fisicamente exaurida. Pode ter prazer, mas pouca curiosidade. Pode apresentar realização e sentir falta de transcendência ou comunidade.


A formulação do SPIRE foi publicada por Ben-Shahar em livro acadêmico pela Palgrave Macmillan.16 Há amplo corpo de pesquisa sobre saúde física, relações, emoções, aprendizagem, sentido e espiritualidade considerados separadamente. Até a atualização deste texto, porém, não localizei uma validação psicométrica da integração específica do SPIRE comparável à disponível para as escalas de Ryff, o PERMA-Profiler ou instrumentos da Teoria da Autodeterminação.


Essa ressalva é importante. Evidência para cada ingrediente não prova automaticamente que uma combinação particular represente a estrutura correta ou completa do bem-estar. Cinco alimentos nutritivos não constituem, por si sós, uma receita cientificamente validada.


Principal contribuição. O SPIRE é um mapa didático abrangente e facilmente aplicável à reflexão pessoal. Ele reintegra corpo, intelecto e espiritualidade sem abandonar emoções e relações.


Ponto cego. A estrutura oferece pouca visibilidade direta a segurança econômica, desigualdade, discriminação, trabalho precário e relações de poder. Além disso, sua integração científica parece menos madura do que a de alguns modelos anteriores.

Eu o utilizaria como roteiro de perguntas, não como diagnóstico nem como “a teoria mais completa”. Sua força está em lembrar dimensões esquecidas. Sua amplitude não deve ser confundida com superioridade empírica.


Pergunta para reflexão: Que parte da minha vida desaparece quando observo apenas pensamentos e emoções e deixo de fora corpo, aprendizado, vínculos e espiritualidade?


Uma pessoa observada por diferentes mapas


Laura gosta do que faz e considera seu trabalho importante. Sente orgulho de alguns resultados e mantém boa relação com parte da equipe. Ao mesmo tempo, está exausta, recebe menos do que precisa para viver com tranquilidade, possui pouca autonomia e quase não encontra tempo para as pessoas que ama. Ultimamente, tem apresentado ansiedade e dificuldade para dormir.


Nenhum modelo precisa declarar sozinho se Laura “é feliz”. Cada um organiza perguntas diferentes.


1.       Bem-estar subjetivo: Como ela tem se sentido? Quão satisfeita está com a vida como um todo e com seus domínios?

2.       Prazer e propósito: Quais atividades do dia oferecem prazer, propósito, dor ou sensação de inutilidade?

3.       Ryff: Ela dispõe de autonomia, relações positivas, direção, crescimento e capacidade de agir sobre o ambiente?

4.       Keyes: Como estão seu bem-estar emocional, psicológico e social? Existem sintomas que exigem avaliação e cuidado profissional?

5.       Autodeterminação: O trabalho apoia ou frustra autonomia, competência e vínculo?

6.       PERMA: Há emoção positiva, engajamento, relações, significado e realização?

7.       PERMA+4: Como entram saúde física, perspectiva de futuro, ambiente de trabalho e segurança econômica?

8.       SPIRE: O corpo, a aprendizagem, a espiritualidade, as relações e a vida emocional estão recebendo atenção?


Medidas diferentes podem produzir conclusões diferentes porque não perguntam a mesma coisa. Isso não é apenas uma discussão abstrata. Avaliações globais, afetos cotidianos e sentido experimentado mostraram associações distintas com situações de vida no estudo de Dolan e colaboradores.2


O caso de Laura mostra por que um modelo útil pode se tornar perigoso quando é tratado como total. Se alguém aplicar somente o PERMA, talvez valorize significado e realização e subestime salário, sono e controle sobre o trabalho. Se olhar apenas para sintomas, pode ignorar propósito, apoio e forças preservadas. Se falar apenas em mentalidade, corre o risco de responsabilizá-la por condições que a organização produz.


O mapa adequado depende da pergunta. A responsabilidade ética é não usar um mapa parcial para declarar que todo o território foi explicado.


Uma vida boa precisa ser sempre feliz ou significativa?


Shigehiro Oishi e Erin Westgate propõem a riqueza psicológica como uma dimensão da vida boa relacionada, mas distinta, de felicidade e significado. Uma vida psicologicamente rica contém experiências variadas, interessantes, complexas e capazes de modificar perspectivas.17


Mudar de cidade, encontrar uma cultura desconhecida, criar uma obra, estudar uma ideia desconfortável ou atravessar uma experiência que reorganiza a forma de ver o mundo pode aumentar riqueza psicológica sem produzir prazer constante. Algumas dessas experiências talvez nem ofereçam um propósito claro enquanto acontecem.


Os autores apresentam estudos que distinguem empiricamente vida feliz, vida significativa e vida psicologicamente rica. As três podem coexistir, mas não são equivalentes. A riqueza psicológica está especialmente ligada a novidade, complexidade e mudança de perspectiva.17


Esta proposta combina muito bem com a ideia de inconformismo do livro. Uma vida boa não precisa ser transformada numa sequência de estados agradáveis. Entretanto, “buscar experiências difíceis” não deve virar romantização de trauma, precariedade ou sofrimento evitável. Adversidade imposta não é um programa de desenvolvimento pessoal. A possibilidade de extrair complexidade de uma experiência não justifica produzi-la ou mantê-la.


Pergunta para reflexão: Minha vida possui espaço para experiências que ampliem minha perspectiva, ainda que não sejam imediatamente agradáveis ou fáceis de resumir?


Um mapa mais amplo da vida humana


Tyler VanderWeele propõe uma concepção abrangente de desenvolvimento humano integral, frequentemente descrita em inglês como human flourishing. Ela inclui felicidade e satisfação com a vida, saúde física e mental, significado e propósito, caráter e virtude e relações sociais próximas. Estabilidade financeira e material aparece como condição importante para sustentar esses domínios ao longo do tempo.18


A proposta foi publicada em 2017 na Proceedings of the National Academy of Sciences e deu origem a medidas de múltiplos domínios. Seu mérito é recusar uma definição puramente emocional ou psicológica de vida boa.18


Este é um mapa amplo, útil para políticas, saúde pública e comparações populacionais. Ele também traz um desafio conceitual: quando uma medida inclui resultados, capacidades, virtudes, relações e condições materiais, torna-se mais difícil dizer se está medindo o bem-estar, suas causas ou os recursos que permitem preservá-lo. Essa dificuldade não invalida o modelo. Apenas exige clareza sobre o uso.


FIB: felicidade como política pública


A Felicidade Interna Bruta, conhecida pela sigla FIB e internacionalmente como Gross National Happiness, surgiu no Butão como uma maneira de questionar a ideia de que o desenvolvimento de um país poderia ser representado apenas pelo crescimento econômico. O conceito ficou associado ao quarto rei do Butão, Jigme Singye Wangchuck, na década de 1970. A proposta não era declarar que renda e produção não importam, mas afirmar que o Produto Interno Bruto não informa sozinho se a vida das pessoas está melhorando.19,20


Ao longo das décadas seguintes, o FIB deixou de ser apenas uma filosofia de governo. O Butão desenvolveu pesquisas nacionais, um índice multidimensional e instrumentos para examinar como políticas públicas podem afetar o bem-estar. Seus quatro pilares iniciais, desenvolvimento socioeconômico sustentável e equitativo, preservação e promoção da cultura, conservação ambiental e boa governança, foram detalhados em nove domínios:19,20


1.       bem-estar psicológico;

2.       saúde;

3.       uso equilibrado do tempo;

4.       educação;

5.       diversidade e resiliência cultural;

6.       boa governança;

7.       vitalidade comunitária;

8.       diversidade e resiliência ecológica;

9.       padrão de vida.


É comum dizer que o FIB “tem uma escala”, porque possui questionário padronizado e produz um índice. Tecnicamente, porém, é mais preciso descrevê-lo como um sistema multidimensional de mensuração, não como uma escala psicológica breve, a exemplo da Escala de Satisfação com a Vida. Na formulação nacional de 2010, o questionário combinava 124 variáveis, agrupadas em 33 indicadores distribuídos pelos nove domínios. Há itens subjetivos, como satisfação com a vida, emoções e percepção de saúde, e informações sobre condições observáveis, como escolaridade, tempo de trabalho e sono, participação comunitária e padrão de vida.20


O cálculo também não consiste em somar respostas e produzir uma nota psicológica individual. Cada indicador recebe um nível de suficiência. Os nove domínios possuem o mesmo peso total, embora os indicadores dentro deles possam receber pesos diferentes. Para fins do índice, uma pessoa é classificada como feliz quando alcança suficiência em pelo menos 66% dos indicadores ponderados. O resultado nacional combina a proporção de pessoas que atravessam esse limite com o grau de suficiência encontrado entre aquelas classificadas como “ainda não felizes”. A metodologia foi adaptada do método Alkire-Foster, originalmente desenvolvido para mensuração multidimensional da pobreza.20


Principal contribuição. O FIB transforma o bem-estar em responsabilidade pública. Governo, condições materiais, cultura, comunidade, ambiente e disponibilidade de tempo entram na avaliação. Isso dificulta a redução da felicidade a disposição mental, consumo ou desempenho individual.


Ponto cego. O índice contém decisões normativas sobre o que caracteriza uma vida boa e sobre onde estabelecer os limites de suficiência. Parte dessas escolhas reflete a história, a cultura e os valores do Butão. Portanto, aplicar o mesmo questionário em outro país sem adaptação cultural não produziria automaticamente uma medida universal de felicidade. Além disso, condensar muitos domínios em um único número pode esconder conflitos entre eles e diferenças entre grupos sociais.


O FIB conversa diretamente com a tese deste livro porque torna visíveis fatores individuais e ambientais. Sua pergunta não é apenas “as pessoas dizem que estão felizes?”, mas “que condições coletivas permitem que diferentes pessoas vivam bem?”. Sua maior contribuição para este apêndice não é oferecer mais uma fórmula da felicidade. É lembrar que aquilo que uma sociedade decide medir influencia aquilo que governos se sentem responsáveis por melhorar.


Pergunta para reflexão: Se uma cidade ou um país avaliasse seu sucesso para além da produção econômica, quais condições da vida de seus habitantes precisariam aparecer?


O que os modelos parecem enxergar em comum


As siglas diferem mais do que várias de suas ideias centrais. Alguns temas reaparecem com nomes e funções diferentes:


1.       relações: presentes em Diener como importante correlato, em Ryff como relações positivas, em Keyes no funcionamento social, na Autodeterminação como vínculo, no PERMA como relacionamentos e no SPIRE como dimensão relacional;

2.       experiência emocional: central no bem-estar subjetivo, em Dolan, no PERMA e no SPIRE;

3.       sentido e propósito: aparecem em Dolan, Ryff, PERMA, SPIRE, riqueza psicológica por contraste e VanderWeele;

4.       autonomia e capacidade de agir: explícitas em Ryff e na Autodeterminação, além de atravessarem condições de trabalho e domínio do ambiente;

5.       desenvolvimento e competência: aparecem como crescimento pessoal, competência, engajamento, realização e aprendizagem;

6.       saúde física: central no SPIRE, no PERMA+4 e em VanderWeele;

7.       condições materiais e coletivas: pouco visíveis em vários modelos, mas incorporadas com mais clareza pelo PERMA+4, por VanderWeele e pelo FIB.


A elevada sobreposição entre medidas de PERMA e bem-estar subjetivo encontrada por Goodman e colaboradores é um exemplo empírico de convergência, embora o tamanho exato dessa sobreposição dependa dos instrumentos e métodos utilizados.13,14


Essa repetição não significa que todas as teorias dizem a mesma coisa. O lugar ocupado por um componente muda. Relações podem ser parte constitutiva do bem-estar, uma necessidade psicológica, uma condição ambiental ou uma fonte de emoções e avaliações positivas. A mesma palavra pode cumprir funções teóricas diferentes.


O que muitos mapas deixam pouco visível


Modelos psicológicos são especialmente bons para organizar experiências, avaliações, necessidades e capacidades. Alguns são menos explícitos sobre estruturas que distribuem de maneira desigual as possibilidades de viver bem:


1.       renda insuficiente e instabilidade econômica;

2.       condições precárias de moradia e trabalho;

3.       discriminação e violência;

4.       desigualdade de acesso a saúde, educação e segurança;

5.       jornadas que retiram tempo de sono, cuidado e relações;

6.       relações de poder que reduzem autonomia;

7.       culturas organizacionais que normalizam medo, injustiça ou exaustão;

8.       diferenças entre aquilo que a pessoa deseja e aquilo que o ambiente permite.


A literatura revisada neste apêndice não ignora completamente o contexto. A Autodeterminação trata explicitamente de ambientes que apoiam ou frustram necessidades. Ryff inclui domínio do ambiente. Keyes incorpora bem-estar social. PERMA+4 acrescenta ambiente físico e segurança econômica. VanderWeele inclui estabilidade material. O FIB incorpora governança, padrão de vida, comunidade, cultura e ambiente ecológico. Ainda assim, a ênfase e a profundidade variam bastante.


Um modelo pode ajudar a perceber dimensões do bem-estar sem autorizar a transformação de todo sofrimento em falha individual. A pergunta “o que esta pessoa pode fazer?” é necessária. A pergunta “o que precisa mudar ao redor dela?” também é. Quando apenas a primeira aparece, a ciência da felicidade pode ser usada para adaptar pessoas a ambientes que deveriam ser transformados.


Afinal, qual modelo está certo?


Nenhum desses mapas contém sozinho tudo o que precisamos saber. O bem-estar subjetivo descreve sentimentos e avaliações. Dolan aproxima a lente da experiência diária. Ryff enfatiza funcionamento. Keyes separa bem-estar positivo de psicopatologia. A Autodeterminação explica necessidades e condições motivacionais. O PERMA organiza elementos. O PERMA+4 amplia a lente do trabalho. O SPIRE lembra a pessoa inteira. A riqueza psicológica introduz variedade e transformação. VanderWeele amplia os domínios de uma vida integral. O FIB transporta a discussão para o campo das políticas públicas e das condições coletivas.


A existência de modelos distintos não é prova de que a ciência fracassou. Fenômenos complexos podem exigir diferentes níveis de análise e diferentes instrumentos. Ao mesmo tempo, modelos precisam ser avaliados por coerência conceitual, qualidade de mensuração, evidência empírica, utilidade e limites. Popularidade, facilidade de memorização e beleza de uma sigla não substituem validação.


A resposta mais honesta não é escolher uma sigla como verdade final. É identificar a pergunta. Se quero saber como alguém avalia a vida, uma medida de satisfação pode ser adequada. Se quero compreender a experiência do dia, preciso de medidas mais próximas do cotidiano. Se quero intervir no trabalho, devo incluir demandas, recursos, segurança e condições materiais. Se existe sofrimento clínico, um modelo de bem-estar não substitui avaliação profissional.


Neste livro, felicidade foi compreendida principalmente como a interação entre bem-estar afetivo e avaliativo, ambos influenciados por fatores individuais e ambientais. Essa escolha não torna os outros mapas errados. Ela define a pergunta que orientou nossa caminhada.

Os modelos convergem mais do que suas diferentes siglas sugerem. Relações, sentido, capacidade de agir, condições materiais e experiências emocionais reaparecem de formas diferentes. Nenhum mapa contém toda a vida. Alguns, porém, ajudam a perceber partes dela que permaneceriam invisíveis.


Um convite, não um teste


As perguntas abaixo não formam uma escala e não produzem um resultado científico. Servem para ampliar a observação:

1.       Como tenho me sentido no cotidiano?

2.       Quando avalio minha vida como um todo, quão satisfeito estou com ela?

3.       O que hoje me oferece prazer?

4.       O que hoje me oferece propósito?

5.       Onde encontro autonomia, competência e pertencimento?

6.       Quais áreas da minha vida estão funcionando bem e quais perderam espaço?

7.       Como estão meu corpo, meu descanso, minhas relações, meu aprendizado e minha vida espiritual?

8.       Que condições ambientais sustentam meu bem-estar?

9.       Que condições ambientais o dificultam?

10.  O que depende principalmente de uma ação minha?

11.  O que exige apoio, negociação, cuidado profissional ou mudança coletiva?

12.  Minha vida possui espaço para experiências que ampliem minha perspectiva?


Talvez a contribuição mais importante de conhecer vários mapas seja abandonar a expectativa de uma resposta simples. Uma vida boa não cabe numa única nota, numa sigla ou numa lista de hábitos. Isso não torna a busca inútil. Torna a busca mais precisa, mais humana e menos disposta a oferecer respostas prematuras.


Referências

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Nota de atualização: Este é um conteúdo online e poderá ser revisto caso novas evidências alterem a compreensão, a mensuração ou a validade dos modelos apresentados.

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