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O fim de uma era: 50/40/10 - Quando a felicidade não cabe em uma torta...

Há quem diga que o valor do acerto é diretamente proporcional à possibilidade de erro.

Acertar algo que todos acertam não tem valor.

Em certa instância, para errar é preciso ousar.


E talvez haja beleza em um erro, quando ao ser reconhecido, nascem novas descobertas.

Em um desses momentos, a ciência da felicidade deu um grande passo. Um passo à frente.


Você provavelmente já ouviu falar da teoria dos 50-40-10. 


Imagem Licenciada via Adobe Stock, abril de 2025.
Imagem Licenciada via Adobe Stock, abril de 2025.

Aquela que afirma que 50% da nossa felicidade está nos genes, 40% nas nossas escolhas intencionais e apenas 10% nas circunstâncias que nos cercam.


Uma teoria elegante, simples, sedutora, que muitos abraçaram por seu poder motivacional, pelo protagonismo que parecia oferecer.

Acontece que ciência não é uma questão de conforto, mas de verdade.

E verdades científicas têm o estranho hábito de não se apegar a números fixos e arredondados.


Sônia Lyubomirsky, autora protagonista da teoria e uma pesquisadora brilhante, subiu ao palco do Congresso Internacional de Psicologia Positiva em 2019, para reconhecer publicamente que aqueles números tão precisos eram apenas especulativos.


Admitiu arrependimentos e revelou humildemente que os números 50-40-10 não podiam mais ser sustentados como universais.

Cada felicidade tem sua própria receita, seu próprio equilíbrio, sua própria métrica.

Ela também confessou outro ponto essencial: durante 14 anos, o modelo da "torta da felicidade" (Happiness Pie) foi mal interpretado e espalhado de maneira superficial, quase como um mantra repetido sem reflexão crítica.


Nesse processo, surgiram interpretações perigosas, capazes de gerar culpa e frustração em quem não se encaixava nos números tão celebrados.


Afinal, se apenas 10% das circunstâncias importam, por que não estaríamos felizes independentemente das dificuldades enfrentadas?

A verdade é mais complexa.

O ambiente que nos cerca molda nossas decisões mais do que gostaríamos de admitir.

Às vezes, o protagonista que queremos ser é apenas o reflexo da bolha que habitamos.


Precisamos entender que circunstâncias e escolhas não são compartimentos isolados.


Eles se entrelaçam, influenciam-se mutuamente, formam um ecossistema em constante transformação.

Na ciência, reconhecer um erro não é uma derrota, mas um avanço.

Em 2021, Lyubomirsky e seu colega publicaram um artigo atualizando sua visão, substituindo a "torta da felicidade" por um novo modelo, o de atividades eudaimônicas, que enfatiza um entendimento mais amplo e menos rígido da felicidade humana.


Esse artigo foi o protocolo, o registro, a comprovação que os apegados ao passado precisavam para ter certeza, de que a teoria antiga havia sido refutada.


Imagem gerada por IA (ChatGPT – OpenAI/DALL·E), abril de 2025. (Happiness Pie refutada)
Imagem gerada por IA (ChatGPT – OpenAI/DALL·E), abril de 2025. (Happiness Pie refutada)

Este episódio é uma lembrança poderosa de que, no trabalho com desenvolvimento humano, liderança ou consultoria, temos uma responsabilidade imensa.


Uma responsabilidade não apenas com os números, mas com as pessoas que confiam em nós.


Devemos não só abraçar a ciência, mas também suas atualizações, suas revisões e, acima de tudo, a humildade necessária para reconhecer quando algo precisa mudar.

Às vezes, é preciso deixar morrer velhas certezas para dar espaço à vida que nasce nas novas descobertas.

Em resumo: a genética impacta nossa felicidade. Nossas ações intencionais impactam também. O ambiente, as circunstâncias também impactam. Deixemos, por hora, os percentuais fixados de lado.

E saibamos diferenciar a opinião de um cientista de um dado científico.

Gravei um vídeo no Youtube falando sobre isso. Se quiser saber mais, é só clicar.


Vídeo de 20 minutos explicando com mais detalhes o fim da teoria 50/40/10 da torta da felicidade (happiness pie)

Se quiser levar a Ciência da Felicidade atualizada e EFICAZ para sua empresa ou vida pessoal, entre em contato com a equipe de Márcio Harff e consulte soluções.



Professor Márcio Harff - Palestra Felicidade e Resiliência através da filosofia do Kintsugi em Belém do Pará.
Professor Márcio Harff - Palestra Felicidade e Resiliência através da filosofia do Kintsugi em Belém do Pará.

 
 
 

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